Tuesday, February 28, 2006

Um dia acordei velho

Oh minha querida
não vês que escureço
que as horas me aviltam
descem diagonais
como os meus cabelos
em desistências de salgueiro
não vês que esmoreço
que o meu olhar se esvai
num brilho baço
de ocaso
uma última revoada de pardais
Oh minha querida
não vês que me despeço
que todo o gesto
que soletro
é uma vénia de lenço
um redemoinho de folhas outonais
Oh minha querida
não vês que eu anoiteço?

André Conde Morais

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